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terça-feira, 28 de abril de 2009

Madrid, Madrid...

Introdução

Esta talvez tenha sido a minha experiência mais negativa numa Maratona, ou talvez mesmo, em qualquer outro tipo de prova em que já participei nestes últimos 7 anos de retorno à actividade física. Esta má impressão tem haver com um conjunto de circunstâncias “desfavoráveis”: uma má recuperação desde a ultima maratona (Sevilha em Fevereiro) que fiz em regime alto; uma constipação que se instalou no meu corpo desde a terça-feira anterior à prova; falta de motivação; clima no início da prova; dificuldade da prova que leva a alguns jornalista apelidar a Maratona de Madrid como uma das mais duras do calendário Internacional.

Se olharmos com atenção para o perfil da prova podemos ver o quanto esta é difícil. Um constante serrilhado, onde as descidas não compensam minimamente as subidas que se tornarem realmente complicadas a partir dos 35km.

Dados obtidos pelo meu Garmin e trabalhados pelo software SportTracks


A minha prova
Tendo em conta o perfil da prova e as minhas condições físicas, resolvi fazer uma prova “conservadora” com só um objectivo - TERMINAR sem sofrimento. Seguindo o conselho do meu companheiro Nuno, ao seu lado, parti nas calmas com ritmos perto dos 5:25/km, assim ficamos até começarmos a descer (5km) ai com todas as cautelas (a travar) aumentamos um pouco o ritmo (5:10/km) e lá ficamos até aos 25km (o ritmo de 6:09 que aparece no gráfico entre os 20km e a meia ficou a dever-se a uma “paragem técnica”). Tendo em conta estes ritmos passamos à meia em 1h51m27s. O que me levou a pensar que poderia terminar, com um pouco de esforço, perto das 3h45m. Mas era uma ilusão momentânea pois na primeira dificuldade da segunda metade da prova (por volta dos 24,5km) vi logo que “não havia pernas” para a proeza. Ainda conseguiu acompanhar o Nuno até cerca dos 25,5km (para ler o relato do Nuno). Depois do Nuno partir descei logo para ritmos por volta dos 5:30/km e iria sempre a piorar até ritmos de 6:45km durante as loucas subidas dos 2 últimos Kms. No final terminei com 3h51m12s (1h59m45s na segunda meia).


Ritmos Intermédios e Médios ao longo da Prova


Na altura em que fiquei “sozinho” decidi que queria terminar sem grande sofrimento. E consegui. Obviamente que a marca final ressentiu-se (cerca de 22 minutos mais lento que na ultima Maratona), mas fisicamente estou a fazer uma recuperação mais rápida, o que é bom.

A organização
Apesar da dificuldade da prova gostei a organização Madrilena de excelente qualidade: uma feira pequena mas agradável; partida sem grandes complicações; abastecimentos de 2,5km em 2,5km sempre com água e a Aquaris; o percurso tem zonas muito bonitas; assistência médica sempre presente; a chegada simples e eficiente menos bem a inexistência de abastecimentos sólidos e não repararei em nenhuma casa de banho durante o percurso. Apesar de não existir muito público durante o percurso havia, nas zonas mais centrais da cidade, muito gente que apoiava os atletas de forma entusiástica (o nome Carlos foi muito gritado – o que sabe sempre bem).


Reflectindo
Quem até aqui leu este relato, talvez não compreenda o porquê de “tanta” negatividade no início deste post. Mas, terminar uma prova desta dimensão e não ter sentido prazer: na marca; ou no percurso; ou no simples palmilhar ... é no mínimo frustrante. Posso-vos dizer que senão fosse a minha teimosia tinha pela primeira vez desistido (aquele não era dia para eu correr).
Valeram os amigos que me proporcionar um excelente fim-de-semana e que tornaram esta corrida numa pequena ilha de frustração banhada por calor humano.



P.S. – A Maratona Carlos Lopes está em análise

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um bom objectivo...

Como tem sido hábito nos últimos tempos, nas vésperas de uma Maratona, venho aqui ao purgatório confessar as expectativas com que parto para mais uma aventura. 
Os objectivos desta vez são muito ambiciosos: TERMINAR.

TERMINAR os 42,195Km para mim nunca foi uma coisa fácil e quando queremos cumprir a mesma distância 15 dias depois como mais "medo" ficamos de não o conseguir. Se juntarmos uma incompleta recuperação da Maratona de Sevilha, uma preparação fraca para esta Maratona e se apimentarmos com uma constipação nesta ultima semana, com mais receio ficamos. Portanto se TERMINAR, e se possível sem sofrimento, ficarei contente.

Vou tentar, como dizem os meus amigos, gozar cada passada e gozar um bom fim-de-semana rodeado de amigos. Para semana cá estarei para vos contar a 1ª etapa da minha insanidade.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Galego no Metropolitano

Foi avistado ontem um elemento da GAFE de origem Galega que fez 1h02m...

Eis a prova:

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Respirar fundo


Ando cansado de correr. Melhor, as pernas estão cansadas de correr. Eu não. A “mim” apetece-me... Equipo-me, saio, começo, mas as pernas nem sempre me acompanham! Às vezes parece mesmo que ficam em casa... Ontem era dia de 32km e lá vieram comigo, pelos vistos a contra-gosto pois insistiam a cada passo que não era dia para corridas. E eu teimava que era. E as pernas em birra: “nem pensar nisso”. E foi esta conversa de surdos da Cruz Quebrada ao Cais do Sodré, para trás até Alcântara... E ao fim de 15km parei, respirei fundo, pensei um minuto... e apanhei um táxi de volta! Ganhou o corpo. Como deve ser, quando a cabeça tem juízo.

Foi a melhor viagem de táxi de que me lembro! Brinquei com o taxista, incrédulo a ver dois tipos de calções entrarem-lhe pelo carro dentro às 6 da tarde: “Amigo, fica agora a conhecer uma nova classe de clientes... corredores cansados, a desistirem a meio do treino!”.

Por isso... hoje fui nadar!

E foi delicioso! Desde os 5-6 anos, então no fundo do velhinho Algés e Dafundo, que frequento piscinas. Mais tarde na piscina do antigo IND na Graça (nem sei se ainda existe). Mais tarde ainda novamente na piscina de 25m do Algés, depois de coberta. No Arizona nadava muitas vezes. Óptimas as piscinas ao ar livre das duas universidades... abertas quase o ano todo... boas memórias! Nunca fui bom nadador e continuo a não ser, mas de facto toda a vida nadei (e nunca antes tinha pensado nisto). E agora no Estádio Nacional, na magnífica piscina de 50m. Que hoje estava quase vazia...

Gosto do ritual de preparação no balneário. De vestir o fato de banho e nada mais... o corpo, quase despido, a sentir que vai ser posto à prova. Parece que libertar-se da roupa liberta também os músculos. Algum frio estimula os movimentos de aquecimento fora de água. A piscina muito azul, bonita, grande... Hoje estavam poucas pessoas a nadar e algumas pistas livres. Um luxo. De resto apenas o silêncio, pouco habitual pois há sempre aulas barulhentas e música de fundo. O som era por isso diferente. O ambiente quente, húmido, confortável, com a luz natural de um dia cinzento a penetrar no edifício. Tudo era diferente e especial hoje... Entrei na água, ajustei os óculos, mergulhei a cabeça já em desequilíbrio para a frente e empurrei a parede com as pernas, com força! Ao ondular debaixo de água uns bons segundos (sempre mágica a entrada num outro mundo) percebi logo que ia ser um bom dia de natação. É como os primeiros passos da corrida... Dá logo para perceber como vai ser o resto.

Fiz muitas piscinas em estilo livre... a deslizar... a mão bem à frente à procura de mais água para agarrar e puxar para lado nenhum. Assim foi até me doerem os ombros. Nadei também bruços, as costas fora de água a cada inspiração. A pernada forte, redonda... o silêncio na fase submersa. Ao contrário de ontem, o corpo colaborava, pedia mais, e por isso lá fiquei... livres até cansar, bruços para descansar. Só mais duas piscinas... a última para lá em bruços, calmamente... uma viragem vigorosa e o regresso num sprint em livres... que boa a sensação de sentir na cara a pequena onda feita pela cabeça a avançar na água!

À chegada ao fim da pista alguém me deu sinal que era hora de sair. O rapaz não disse uma palavra, apenas um sinal com as mãos como se soubesse que hoje se respeitava o silêncio. Fiz-lhe sinal que sim com a cabeça e ele foi-se embora. Tirei a touca e os óculos atirando-os para fora e saí da água num salto. Respirei fundo. E bem fundo se respira depois de 30 minutos a nadar! Calcei os chinelos, escorri a água da cara e do cabelo, olhei à volta e reparei que estava completamente sozinho. Ao caminhar para o balneário apeteceu-me saltar de novo para dentro de água e fazer de peixe mais um pouco... Notei que me apetecia brincar (já não me lembro da última vez...). Tomei banho, olhei-me ao espelho, vesti-me, desejei boa Páscoa à pobre senhora a trabalhar no feriado, saí e deixei o complexo da piscina para trás, 50 minutos de pois de ter entrado.

Moral de tudo isto...? Não há.

Dois dias, dois treinos para nenhuma meta importante. Pequenos rituais, pequenas decisões (hoje quase não fui nadar...), pequenos detalhes, pequenas recompensas (apetecia-me brincar...). Na verdade, pequenos nadas que fazem o dia-a-dia de quem corre, de quem nada, de quem faz desporto. Por vezes com amigos, como ontem. Por vezes sozinho, como hoje. Sempre na companhia do nosso corpo, este companheiro que, se o tratarmos bem, nos retribui em pequenas doses de prazer.

A nossa vida não é isto, é certo. Mas isto faz parte da nossa vida. E torna-a um bocadinho melhor. Se o sentido da vida é vivê-la, ele aqui está. Aos bocadinhos...

Quando respiramos fundo, cansados no fim do treino, é só isso que estamos a fazer. A respirar fundo! Ou respirar “a fundo”... Nada mais.
E assim sabemos que valeu a pena.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Assim vale a pena

Os dias terminarem mais tarde começa a ser um convite para uma corrida ao fim da tarde. Assim hoje, resolvi sair de minha casa direito a Oeiras para fazer o reconhecimento do novo troço do passeio marítimo de Oeiras, entre a praia de Santo Amaro e a praia de Paço de Arcos inaugurado recentemente. nO percurso é lindíssimo e a obra magnífica. Para mim este é um bom exemplo de como os dinheiros do erário público podem ser bem gastos.

Foi muito bom percorrer todo troço, agora com 3500 metros (do Forte de S. Julião até à praia de Paço D’arcos) onde, apesar da hora tardia e do dia da semana, cruzei com algumas centenas de pessoas de diferentes faixas etárias fazendo diferentes tipos de actividades.

Há uns anos li que Isaltino de Morais tinha o sonho construir um passeio marítimo entre o Forte de S. Julião da Barra e Algés. Sei que ainda falta muito, mas esta segunda fase foi mais um passo ao qual em breve se seguirá um terceiro entre Caxias e Algés. Segundo a vereadora responsável pelo pelouro das Obras Públicas do Concelho de Oeiras esta terceira fase está em fase de conclusão de projecto. Talvez brevemente consigamos correr no “sonho de Isaltino”. Para nós corredores era excelente poder percorrer de forma protegida, num bom piso e com uma vista soberba.

Mas já hoje conseguimos percorrer neste “tom” desde Paço d’Arcos até ao final da praia de Carcavelos, que também teve o seu paredão recentemente melhorado, num percurso de cerca de 5000 metros o que nos permite já uns bons treinos.

Caros amigos aproveitem tudo isto. Assim vale a pena fazer actividade física.

de Fernando Villar


sexta-feira, 27 de março de 2009

Insanidade


A minha próxima cenoura desportiva foi, aqui, definida há pouco tempo. Desde então, tenho saído para a rua comprimindo religiosamente o plano estabelecido, mas sem chama nem esperança que o objectivo final possa vir a ser cumprido. Esta falta de vitalidade é normalmente meio facilitador para a instalação no nosso corpo das viroses que circulam no éter das nossas vidas. Assim foi... o vírus GAFIANO atacou. e numa semana instalou-se apoderando-se de todos os meus objectivos desportivos. Tentei de tudo... conselhos de amigos, análises económico/financeira, treinadores, análises fisiológicas até consultei estrangeiros. Mas nada... a INSANIDADE propagara-se tomando conta do meu ser.

Para que possam perceber a complexidade da doença informo que rasguei por completo o plano que publique no dia 6 do corrente mês e substitui-o por aquele que abaixo se afixa (Cliquem nele e observem-no com todo o cuidado).


UHAU....

Dirão os mais comedidos, louco outros, coitado mais um os outros abanaram simplesmente a cabeça.

A todos responderei com uma afirmação de Hegel: “A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente”.

Depois desta afirmação, que me iliba, permitindo continuar no alcance dos meus propósitos, que passam mais uma vez por testar as minhas capacidades, convido-vos a continuarem atentos a este blog aonde apresentarei como darei cabo do virus GAFIANO nas ruas de MADRID e LISBOA

sexta-feira, 20 de março de 2009

A cenoura que se segue II

Desde que cheguei de férias ainda não tinha tido a oportunidade de ler os mails do GAFE, nem de consultar o blog oficial e seus derivados (tartaruga, aminhacorrida, ect). Comecei pelos mails. Estavam os 39 mails religiosamente organizados na pasta Atletismo. Um por um fui-me inteirando dos acontecimentos mais relevantes da nossa colectividade.
Depois avancei para o blog. Estive a ler os relatos de Sevilha e conhecer os próximos objectivos? Two Ocean Marathon? NY já é dada como está garantida!
A reportagem fotográfica de Sevilha está bastante boa. Só não fiquei a saber se seguiram o conselho do Galego Voador: «Não esqueçam comer o "pescaito frio" em Sevilha.»
Gostei bastante do relato do Presidente sobre as 12 maratonas em que participou antes de Sevilha. Será que vamos ter uma variante do objectivo "40 anos - 40 Kms" e teremos "50 anos - 50 maratonas"? Os próximos anos dirão se esta variante se confirma.
Agora que "arrumei a casa", calcei as sapatilhas e fui correr.

PS: Gosto mesmo de pertencer à GAFE.

Uma História

Acabei de receber um mail do nosso amigo CB que nos apresenta uma historia já conhecida por alguns de nós mas que vale a pena sempre rever.
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Uma história verdadeira:
Um dia o filho pergunta ao pai:
"Papa, vens correr comigo a maratona?"
O pai responde que sim, e ambos correm a primeira maratona juntos.
Um outro dia, volta a perguntar ao pai se quer voltar a correr a maratona com ele, ao que o pai responde novamente que sim.
Correm novamente os dois.

Certo dia, o filho pergunta ao pai:
...
E o pai diz que sim.
Isto é tudo muito simples...vejam pf as imagens no link seguinte:
  http://www.youtube.com/watch?v=VJMbk9dtpdY

segunda-feira, 16 de março de 2009

40 Anos – 40Km

Hoje o amigo AB conclui aquilo que tinha prometido há uns tempos fazer no seu aniversário 40km, 1 por cada ano de vida. Tive o privilégio de fazer com ele os primeiros 14km, ou seja, acompanhei-o “de mão dada” até ser um adolescente consciencioso. Depois partiu sozinho... podem ler aqui o excelente relato que o próprio fez.

Espero que não vire moda esta forma de comemorar os aniversários pois alguns de nós já estamos na faixa das ultramaratonas.

PARABÉNS

sexta-feira, 6 de março de 2009

A cenoura que se segue

Há quem consiga sair todos os dias para a sua corrida diária com o único objectivo de por um pé a frente do outro sem se preocupar em seguir planos nem perseguir objectivos. Mas há outros como que senão tiverem uma obrigação de saírem não saem. São os preguiçosos.

Mas este sorna quando passa muito tempo sem calçar as sapatilhas por calaceira, por cansaço, por falta de tempo, por lesão, ou porque... não sei porquê, fica instável.

Assim resolvi “criar” um novo intuito de curto-prazo que obrigue a dar de novo rotina às minhas “sapatilhas”. Abaixo deixo o meu plano paras as próximas 9 semanas que terminarão com a  Meia-Maratona de Setúbal no dia  10/5. Nesta prova tentarei bater a minha melhor marca em meias planas.

Este plano, poderá e deverá ser alterado. Já no dia 16/03 tentarei palmilhar uns KM’s com o amigo AB que nesse dia terá como objectivo: “1km por cada ano”.



quinta-feira, 5 de março de 2009

"O meu passo modificando os meus pensamentos"

Gostei deste texto...


(Revista Gingko Março 2009)

domingo, 1 de março de 2009

Growing Together... Running Together...!


Aqui fica uma *grande meta GAFE*, na sequência do previsível sucesso da nossa participação na maratona de NY. Na Páscoa de 2010, gostava de participar na Two Oceans Marathon, considerada a mais bonita de todas as ultra-maratonas (e também a mais pequena... tem “apenas” 56 km!).
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Se a Comrades é a Raínha das Ultras, a Two Oceans foi-me descrita como a mais bela Princesa! Pelo que soube, o espírito (“vibe”) da corrida e a sua beleza são inesquecíveis.

E a Cidade do Cabo não será menos. Um incentivo extra para levarmos uma equipa completa: Corre-se também, e ao mesmo tempo (com partida simultânea) uma Meia-Maratona!
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Para gente normal como nós, uma ultra-maratona far-se-á uma vez na vida?
A ser uma...




sábado, 28 de fevereiro de 2009

Maraton de Sevilla

Decidimos fazer esta Maratona na recuperação da maratona de Berlim. Pouca informação tinha, mas confiei na sapiência dos meus companheiros – foi uma grande escolha. A Cidade é linda, vivem lá alguns amigos com quem partilhei momentos que guardarei para sempre, o percurso é plano e o tempo estava magnífico para correr.

Não consigo fazer nada na vida sem objectivos e numa fase inicial da preparação defini-me alguns objectivos. Treinar sem lesões, perder algum peso e aproximar-me das 3h00.

As lesões foram uma constante dos processos de preparação para as Maratonas anteriores. Apesar de alguns percalços na preparação para Sevilha (1 pé torcido a jogar futebol, 1 joelho inchado numa queda num treino às 6h00 e terminei a preparação com uma periostite que me vai “obrigar” a descansar as próximas 3 semanas), estes quase nunca foram impeditivas de uma boa preparação.

Tentei fazer o maior número de treinos com a GAFE, para gozar da experiência, método e organização do Presidente, das tareias do Secretário-Geral e principalmente do espírito e boa disposição do GAFE.

No sábado, lá fomos juntos para Sevilha. Conduzi o carro dos atletas (que grande responsabilidade) e o Joca conduziu as nossas meninas (sortudo:-)), que foram incansáveis no apoio e na reportagem fotográfica.

Levantámos os dorsais, fizemos o check-in no Hotel e fomos jantar (3 pratos de massa), sem muitas misturas para evitar os problemas intestinais que senti em Londres. Depois do jantar, o Enrique veio-me buscar na sua moto, para ir-mos assistir ao Sevilha-Atlético de Madrid. Encontrámo-nos com o Ignaci e com o Eduardo, bebemos uma Cruzcampo, enquanto assistíamos ao final do Real-Betis (6-1 desgraçado do Ignaci que é fanático do Betis) e fomos para o Estádio. Nunca tinha assistido a um jogo da Liga Espanhola e muito menos um jogo às 22h00. O estádio estava cheio, o ambiente é espectacular e os adeptos são incansáveis no suporte à sua Equipa – na Luz, só contra o Sporting e Porto o estádio enche e os adeptos estão mais preocupados em assobiar o árbitro e o Di Maria, que em puxar pelo Benfica. O Sevilha venceu por 1-0 e o Sevilha mantém o 3º lugar na La Liga.

Dormi poucas horas, acordei cedo, comi sem vontade umas fatias de pão alentejano com doce de abóbora (o pequeno-almoço no Hotel só começava às 7h30), tomei um duche e equipei-me para a prova.

Chegámos cedo ao Estádio Olímpico, aquecemos e alinhámos objectivos. Eu pretendia fazer abaixo das 3h05 e o PT decidiu que ia tentar fazer NY Time (2h55m00) - combinámos ir juntos até à Meia-Maratona (4:11/4:12/Km) e então o PT aceleraria e eu tentaria manter o ritmo que me permitisse bater as 3h00 (este era um sonho antigo que não pretendia bater em Sevilha mas ia tentar).

Alguns desencontros com a Gafe fizeram com que eu e o Presidente fossemos tarde para a pista e ficássemos na parte traseira do pelotão (entretanto tínhamos perdido o NK e o PT). Tiro de partida, votos de boa prova, cumprimento final e arrancámos. Encontrei o PT ainda na pista, pose para a fotografia à entrada do túnel de saída e lá saímos do estádio ainda muito lentos. Terminámos o 1º Km em perto de 5min e rapidamente chegámos ao ritmo objectivo (4:05/4:15). Passámos aos 10Kms com 42 min e íamos fortes – apesar de sentir que o PT ia a travar. A temperatura estava fresca, não havia vento, o sol ainda estava baixo e portanto havia muita sombra, enfim condições óptimas para correr apesar da temperatura ir subindo.

Mantivemos o nosso ritmo e perto dos 15Kms decidimos alcançar um grande grupo que estava à nossa frente. Foi impressionante a facilidade com que o PT os apanhou. Eu fui mais calmo mas mesmo assim, foi com facilidade que os apanhei e me abriguei no meio do grupo. O grupo tinha imensos Tugas que iam bem e com quem me fui cruzando até ao final da prova.


Aos 20Km´s, o PT partiu e pouco depois acenou-me como que a desejar – FORZA HOMBRE. O PT estava muito forte e não tinha dúvidas que bateria o record pessoal – ainda teria condições de fazer 2:55? Desejei que sim:-). Passei à Meia com 1:29:10 e sentia-me forte.

Foquei-me na minha prova e diversos pensamentos me passaram pela cabeça – teria pernas para manter o ritmo? Baixaria das 3:00? A que Km passaria pelo muro? Deixei-me de pensamentos negativos e mantive o ritmo.

Aos 30 Kms, já me sentia bastante cansado mas tinha conseguido manter o ritmo. Parei para aliviar a bexiga e segui com força.

Perto do Hotel, por volta dos 35Kms, passei pelo Joca que se fez notar – MEGA GRITO de apoio – e percebi que ia bastante cansado. Ia a olhar para o chão, com os dentes cerrados e fiz-lhe um sorriso mas sem a resposta enérgica que merecia.

Lá segui concentrado em cada passada a pensar que faltava menos uma para o final da prova. Nesta fase, os pensamentos eram do tipo – porque é que me meto nisto? Sou louco? Porque é que não fico em casa? Porque é que não sou capaz de fazer maratonas sem objectivos de superação?

Nesta fase, já não conseguia manter o mesmo ritmo mas ia-me focando em não baixar dos 4:20/km. Definia objectivos para manter o ritmo – ultrapassar 6 atletas até à meta, ultrapassar o atleta à minha frente, …. Enfim, formas de manter a cabeça ocupada com pensamentos positivos.

Por fim, entrei no túnel de acesso ao Estádio Olímpico. Acelerei o ritmo, olhei para o relógio (conseguiria bater as 3h00), senti o ambiente do estádio, dei tudo o que tinha até à meta e senti a felicidade de superação – 2:59:08.



$Dei um forte abraço ao PT, que estava à minha espera, e a quem devo este resultado, agarrei uma garrafa de água e descansei.

Depois de reunirmos a Gafe, encontrámo-nos com o Joca, a Ana e Isabel e rumámos ao Hotel para um merecido banho. Depois do banho, um almoço de tapas (fantásticas), umas cañas e o descanso dos guerreiros.

Entretanto, fui visitar o Mestre Raul Oliveira que me diagnosticou uma periostite e recomendou-me que parasse durante 3 semanas – que farei. Haja vento para que me possa dedicar ao kite Surf:-).
Boas corridas.

PS: Gafe, qual será a nossa próxima Maratona?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Maratona de Sevilha 2009

Na minha senda de bater o record do presidente, lá fui com a equipa participar na minha primeira maratona do ano.
Partimos no sábado, um carro só com atletas e outro só com a claque, viagem calma e descontraída com a temática a recair no tema “o que é realmente o típico português”, resolvemos ter o nosso almoço ainda do lado de cá da fronteira, mais propriamente em Vila Real de Stº António – num género de clube naval e constou de “arroz de pato”.
Chegamos a Sevilha e vamos directos ao estádio para levantar o dorsal e o saco do corredor, vamos ao hotel e pouco depois partimos para a o ultimo enchimento de hidratos, foi descoberto um local de seu nome “Fresc O” em que 9,95€ colocavam todo um buffet de massas, saladas e afins à descrição.
Depois de uma noite mal dormida, lá fomos ao pequeno-almoço, excepcionalmente em atenção aos maratonistas, às 6:30h e resolvemos ir de Táxi para o estádio para não haver maiores stresses.
Depois lá fiz a minha prova, cujo relato detalhado pode ser lido aqui.
O 43º km (à semelhança do 19º buraco no golfe), foi dos melhores, com uma colecção infindável de tapas, e algumas cañas.
O dia seguinte foi composto basicamente por dois factores repouso activo com uma bela caminhada pelo centro histórico da bela capital da Andaluzia e por siesta…
Deixo aqui os parabéns a todos pelos objectivos atingidos e o meu obrigado por tudo.
NK

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sevilha 2009

“Quantos quilómetros tem a Maratona?”

Pergunta frequente feita por familiares e amigos desta “tribo” de gente um pouco diferente que corre estas provas. Grupo que parece aumentar de número todos os anos, o que não deixa de ser interessante... Mas como diria o precioso repórter “Sabino Rui” (do precioso TeleRural) “Sim, Zé. É digno de reflexão aquilo que atrai mais e mais pessoas à Maratona... mas não foi isso que me trouxe aqui hoje!”. Às vezes a pergunta é ainda mais curiosa: “ E quantos km tem esta maratona que vais fazer?!!”. A resposta em ambos os casos é muito simples: “Tem 42 km”.

Errado...

(TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL AQUI)

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Sevilha em imagens:




Sábado... Depois de levantar os dorsais.



A abastecer de hidratos num italiano "all you can eat"!


Minutos antes da prova, dentro do estádio

A partida


Eu e o Luís, tudo era fácil... (10km?)


"Thumbs up, girls"!

Foto bonita. "Thumbs up" do Luís (detalhe da Powerbar na minha mão)
Concentrados na 1ª metade
A curva Portuguesa, com o parceiro espanhol em dificuldades...

A entrada no Estádio! Em grandes dificuldades...!!

A voar para a meta...


Com o Luís, à espera do Carlos...


E aí está ele, mais a bandeira!


Já fora do estádio... em comunhão com os colegas e "support team".

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sevilha a nº13

A minha décima terceira Maratona já está!!!!

Cartaz da Maratona de Sevilha (Foto Isabel)
Apesar de não ser uma das Maratonas de topo de Espanha fiquei muito bem impressionado com a organização desta prova. Talvez o único apontamento menos positivo é a feira que é extremamente pobre, quase inexistente. As ofertas que dão aos atletas são boas se pensarmos no preço que se paga (camisola técnica sem mangas, meias e calções).


Os tugas na feira (foto Isabel)
A prova parte e chega no Estádio Olímpico onde impera uma organização muito simples e eficaz. Durante todo o trajecto a organização está sempre presente com o objectivo de ajudar os atletas. Tivemos abastecimentos de 2,5 em 2,5km fornecidos por voluntários extremamente jovens que fazem o máximo para incentivar todos os atletas. De salientar também a existência muitos locais onde se pode encontrar ajuda médica.
Relativamente à minha prova posso dizer que correu bem, pois consegui fazer a minha terceira reconfirmação de mínimos para a Maratona de Boston (3h29,26s). Mas...
Desta vez bati no “muro”.
Nada que eu não estivesse à espera em função dos indicadores dados pelos treinos. Quando parti tinha 3 objectivos: O tradicional (acabar), o realista (tentar reconfirmar os meus mínimos) e o sonhador (bater ou ficar muito perto do meu record).
Mas voltando acho ao “muro”, ou como eu e Ana o rapelidamos “monstro dos hidratos”, ele visitou-me no local esperado (32km) e ficou lá até ao fim como podem ver no gráfico que abaixo apresento.

Tempos médios por km com recolha de 5 em 5km e à meia e no final
Parti então sincronizado no objectivo mais alto. Apesar de do primeiro km muito lento fui aos poucos recuperando e por volta do 10km já estava dentro do objectivo.

Passagem cerca dos 6km (foto Isabel)

Passagem aos 10km (foto Isabel)
 Dos 10km até à meia-maratona mantive o objectivo pretendido, ou seja, andar a ritmo de 4:50/km. De tal maneira que à minha passagem à meia estava dentro do ritmo para record.

Passagem por volta dos 16km (foto Isabel)
 Mas a partir daqui o ritmo caiu muito. Até aos 32km consegui andar quase sempre abaixo dos 5:00/km mas a partir dos 32km o monstro chegou. Mas para sorte minha, a minha querida amiga Ana chegou para me ajudar a fazer os últimos 10km. A sua força, amizade e aquela bandeira que transportava consegui “arrastar-me” até à meta. 

Eu a Ana e a bandeira por volta dos 32km (foto Isabel)
Em todas as anteriores maratonas, apesar já ter batido no “muro”, nunca como desta vez senti o embate de forma tão violenta como esta. A partir dos 34km só me apetecia andar. Mas o ânimo “silencioso” da minha amiga e de todos aqueles que se alvoroçavam quando a bandeira portuguesa passava ajudou-me a não parar até ao 40km, onde tive que parar durante cerca de 1 minuto para beber água. Mas a mão milagrosa da Ana empurrou-me e o motor lá se manteve em funcionamento, apesar de ir aos solavancos. Mas quando o balão das 3h30m passou por mim, perto do 41km, resolvi ir atrás dele sem muito êxito mas o suficiente para consegui manter a terceira velocidade. À entrada do estádio a Ana resolveu não entrar (fiquei cheio de pena de ela não gozar o ambiente) e passou-me a bandeira para a mão.

Passagem de testemunho (foto Isabel)
Agora só faltavam poucos metros até à meta. O túnel primeiro e depois o estádio. Quando entrei desfraldei a bandeira bem alto e o estádio veio abaixo. Foi mesmo espectacular.
E assim terminei a minha 13 Maratona agora só tinha que procurar os meus amigos e desfrutar o momento.
Esta blog só foi possível devido às excelentes fotos da minha amiga Isabel que um dia deste começará a correr connosco. As promessas não se esquecem.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Amanhã é dia de Maratona

Amanhã é dia de Maratona de Sevilha e a adrenalina está elevada:-).



Há 9 semanas, defini 3 objectivos para Sevilha:

1. Preparar-me sem qualquer lesão (consegui treinar bem apesar de muitas pequenas lesões);

2. Correr a maratona com 69,9kgs (perdi 1,5Kgs mas só cheguei aos 71Kg:-);

3. Fazer 3h05 - amanhã saberei se conseguirei bater o record pesoal em 8 minutos:-)



Em Sevilha, vivem 3 grandes amigos que aproveitarei para rever, e que farão deste, um fim-de-semana muito especial:

- O Enrique e o Ignaci, que foram meus companheiros de Apartamento na Escócia (Aberdeen), no programa Erasmus, que fiz em 94/95. Aproveitarei para recordar as aventuras e desventuras de então, com 2 companheiros de uma aventura única de vida;

- O Miguel, que foi meu colega de trabalho e que desde há 5 anos trabalha em Sevilha.

O programa do fim-de-semana será extenso e começará daqui a pouco com a viagem da Gafe para Sevilha. Já fui desafiado para esta noite ir assistir ao Sevilha - Atlético de Madrid (22h00), que não consegui recusar, apesar da hora tardia.



Na Maratona, irei tentar acompanhar o Pedro, a um ritmo (4:20?) que me permita atingir o objectivo. Fizemos bons treinos, mas não estou seguro que as pernas aguentem esse ritmo depois dos 32Kms.



Estou ansioso.



Boas corridas a todos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Primeira Nunca se Esquece!

Quase quatro meses depois de ter concluído a minha primeira maratona, este é o momento para partilhar a minha experiência convosco. Deu tempo para descansar, reflectir e voltar aos treinos para preparar os próximos desafios.

Foi a primeira (e a primeira nunca se esquece segundo o nosso Presidente), em 5h06m31s (!?!?!?!?!) e foi o que se arranjou. Depois de me ter lesionado a 2 semanas da maratona Carlos Lopes de Abril 2008 (deixei o Bento a brilhar sozinho...), não consegui treinar em condições. Por vezes nem treinar consegui. Não fui à meia da ponte em Setembro por causa das costas e só fiz os 10k da marginal (ritmo lento de 54m). Poucos treinos em Setembro e Outubro e 1 só longão (de 23k!!!!!!). Uma desgraça. Mas tinha-me inscrito no Porto e pensei que não podia desistir sem tentar. Tinha que ir.

E assim fui. Cheio de dúvidas sobre se as costas aguentariam, ou se o “muro” seria intransponível ou não.
Lá parti e fui com o Nuno os primeiros 5k a ritmo normal. Dores pontuais nas costas não me abatiam apesar de começar a sentir efeitos da gripe (dores de garganta e febre na noite anterior, um mal nunca vem só). Lá segui pela Foz abaixo cheio de vontade e a pensar que o Bento ia ali ao meu lado a cumprimentar as pessoas todas. Cruzei-me com o Nuno aos 19k, antes de dar a volta na Afurada, e novamente aos 26k, na ponte D.Luís. Sentia-me relativamente bem, ia a um ritmo lento mas na expectativa de terminar entre as 4h e as 4h e qualquer coisa.

Mas aos 29k... Lá estava o gajo: o MURO!!!! Pelo menos foi assim que ele se apresentou. Fónix! Começou a doer tudo, estava farto da água, do gel, do açúcar, de correr, do mundo, de tudo...
Andei um bocado no abastecimento no Freixo (30k) e depois baixei o “elevado” ritmo de corrida. Ia para aí a uns 8m/k. Nunca corri tão devagar. Segui um japonês (eram imensos os “amarelos”) com perto de 90 anos e arrastei-me de abastecimento em abastecimento até ao final. Curioso que nunca pensei em desistir e até apreciei a paisagem. Cortar a meta com tantos atletas atrás de mim (1 no meu age-group e 19 na geral individual!!!!) foi uma alegria. Cumprir o objectivo e vencer este desafio, obrigando-me a continuar, sozinho 37k e sem música foi mesmo incrível.


Eis a prova do crime:


Só eu sei (porque não fico em casa!!!!!!!) a inspiração e força que a GAFE me deu em determinadas alturas do percurso e que me levou até ao fim. Embora muitas vezes ausente, sinto-me sempre perto. Alguns gafistas, por questões profissionais, têm estado mais presentes: Presidente – sempre um exemplo a seguir pela motivação e espírito gafista que tão bem sabe incutir; Elvis – o raio do espanhol enganou-me ao dizer que eu estaria preparado, mesmo com poucos treinos; e Pedro T – desafiou-me a correr a primeira maratona com o chapéu dele da maratona de Boston-2004 e agora posso devolver-lho devidamente lavado e com o objectivo alcançado. Mas não posso esquecer todos os outros amigos de estrada, que de uma maneira ou de outra me inspiraram e ajudaram.

Agora já tenho um tempo a bater, o que significa que a responsabilidade aumenta. Lisboa (Carlos Lopes) em Abril é o meu alvo.

Abraços e Beijos (já se pode mandar beijos sem ser mal interpretado...)

Boa sorte para os “Sevilhanos”!!!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Peso e Performance nas Maratonas de Carlos Ferreira

Acabei de receber uma email do nosso amigo Elvis directamente dos EUA que vou eu publicar por falta de “Know-Wow” do nosso amigo. 

A sua reflexão intitula-se  “Peso e Performance nas Maratonas de Carlos Ferreira” é aqui publicada de forma integral:

“Devo confessar que estou ultrapassado perante tanto controlo da informação do treino. E confirmo aquilo que está nos livros, um forte associação entre a redução do peso e a performance. No teu caso podemos confirmar que a redução da massa corporal explica aproximadamente o 63% da melhora do tempo na maratona (como chegar a redução da massa corporal para isto acontecer é outra coisa). Por outro lado, em media por cada kg de peso perdido melhoras 6 min 24 segundos o tempo da maratona (Ver gráfico em anexo). Faz favor, não utilizar a equação para calcular o peso para recorde do mundo (se calhar pode ser considerado doping).
Podes publicar o email no bloge, eu ainda não dei com a caminho para faze-lo, embora tenha tentado.
Grande abrazo.
Não esqueçam comer o "pescaito frio" em Sevilha.
BOA SORTE para todos os gafistas”


As minhas Maratonas

Antes de fazer a minha 13 Maratona resolvi deixar-vos uma retrospectiva, até então nunca feita, dos momentos mais altos das anterior 12.

Lisboa (Dezembro 2003)
4:01:35 (68,5kg)

A primeira nunca se esquece. Tinha começado a correr em Junho de 2002 e passo a passo cheguei aqui. Comecei pelos 10Km, fiz 3 meias e em Setembro desse ano resolvi que estava na altura de experimentar uma coisa mais longa. Antes de começar a prova senti que ainda não estava preparado para consegui completar uma Maratona e decidi que só iria fazer 32km. Fui munido com uma nota para em Algés (local dos 32km) regressar de transportes públicos. Quando lá cheguei estava bem e resolvi “porque não tentar chegar ao fim”. E cheguei... sem nunca parar. Foi fantástico. Muitas recordações, “para mais tarde recordar”. Entre elas a sensação única de descer escadas.

Lisboa (Abril 2004)
3:58:09 (69,5kg)

Segunda experiência. Já construí um plano de treino. Esta foi talvez a Maratona mais bem organizada em que participei em Portugal (uma pena ter tido uma única edição). Partida no estádio do Restelo e chegada no Cais do Sodré , percurso giro mas duro. Choveu na maior parte do percurso. Os últimos 5km’s forma feitos em grande parte a andar. Ao chegar tinha os mamilos em sangue (nunca mais aconteceu).

Lisboa (Dezembro 2004)
3:54:28 (68Kg)

Desta prova, poucas coisas me recordo: Foi a primeira prova em que parti ao lado do Pedro Teixeira (fez a meia-maratona); esqueci-me dos gel’s em casa; prova mal organizada; vento contra em parte da prova.

Paris (Abril 2005)
3:43:12(65kg)

Primeira experiência internacional. Inesquecível. A preparação foi feita ao pormenor. Contei pela primeira vez com a companhia de dois amigos (Pedro Oliveira e Nuno) que fizeram a sua estreia na distância. Chegamos com 3 dias de antecedência a Paris e ficamos num Hotel muito perto da partida. Todos os dias têm uma história bonita, mas o dia da prova... uau... tanta gente. A Partida na Avenida Champs Élysées foi... ao recordar toda esta prova fico completamente feliz. Pela primeira vez corri com mais de 30000 mil atletas (fui sempre acompanhado por uma mar de gente). UM DIA VOU VOLTAR A FAZÊ-LA.

Barcelona (Março 2006)
3:37:52 (67kg)

Primeira prova internacional da GAFE (eu, Nuno, Pedro Oliveira e Pedro Teixeira). Pela primeira vez tentei os mínimos para a Maratona de Boston no meu escalão etário (3h30m). Na véspera, da prova, esteve uma “equipa” em completa harmonia a jantar uma excelente refeição confeccionada, pelo nosso nutricionista, aonde se destacava um belo vinho tinto “Sangre del toro“. Prova num percurso histórico muito bonito onde pela primeira vez foi gritado a palavra de sofrimento da Gafe (KUNAMI).

Porto (Outubro 2006)
3:30:58 (66,5kg)

No verão de 2006, eu e o Nuno, resolvemos passar parte da época estival a treinar pensando nesta prova. Esta, que estava então a sua segunda edição, tem o mais belo percurso de todas as Maratonas portuguesas em que participei ao qual se junta uma organização muito boa. Foi uma prova onde pela primeira vez contei com uma “lebre” que me marcou o ritmo até aos 30km. Os últimos 5km’s foram muito dolorosos, em particular parte da subida da Boavista até à meta. O objectivo de ficar até ao minuto 30 foi conseguido por 2 segundos, mas a organização perdeu o meu tempo de chip o que me “obrigou” a continuar a pensar nos mínimos para BOSTON.

Roma (Março 2007)
3:38:29 (67,5kg)

Esta prova foi para mim uma autêntica aventura pois estive quase todo o período de treino lesionado e só consegui treinar nas últimas 5 semanas. Esta prova e o treino para ele teve o acompanhamento da revista  PSI Psicologia actual onde deixei o relato que aqui transcrevo: “Após terminar uma prova, ou tenho tendência a não valorizar a conquista do pequeno sonho, pensando no próximo sem comemorar o que acabo de conquistar, achando que os objectivos conquistados não têm história para além das sensações vividas no momento; ou remeto-me a criticas e avaliações do que poderia ter sido feito, e, de novo, me esqueço de agradecer às minhas pernas e à vontade firme de chegar ao final. Mas desta vez não tenho reparos a fazer a minha performance que ultrapassou todas as expectativas iniciais, que não eram muitas, depois da lesão sofrida em Janeiro. Esta lesão levou-me considerar, até às últimas 3 semanas, a desistência da prova. Mas ainda bem que decidi embarcar nesta aventura o que permitiu deliciar-me com as sensações vividas na prova de Roma: a partida e chegada junto ao grandioso coliseu; a passagem pela linda Basílica de S. Paulo; a entrada por breves momentos no Vaticano; sair de uma viela e dar de cara com a Piazza Navona; e finalmente TERMINAR. Agora sim posso começar a sonhar outra vez.”

Lisboa (Abril 2007)
3:35:31 (67,5kg)

Esta prova foi “a minha” loucura pois resolvi correr outra Maratona 28 dias depois de Roma. Mas em boa hora o fiz, pois apesar da Maratona Carlos Lopes estar pessimamente organizada (a pior que até hoje participei), tive os mimos de toda a GAFE que me escoltou em forma de estafeta durante toda a prova. Nunca mais me esquecerei de todo aquele “calor” e em especial dorsal do Pedro Oliveira “EXPRESSO DO ORIENTE FOLLOW-ME”.

 Porto (Outubro 2007)
3:48:32 (67,5kg)

Resolvi ir ao Porto novamente com a companhia do amigo Bento com o objectivo de” vingar-me” da prova de 2006. Bom mas a prova foi um completo desastre desportivo. O muito calor e falta de preparação adequada deram as mãos e brindaram-me com um grande sofrimento. A partir dos 30Km só pensava quando é que aquilo terminava. Mas em contrapartida todo o resto do fim-de-semana foi excelente em companhia de da família do BENTO que me tratou com fosse um dos seus. E por isso que digo que uma das coisas melhor que a corrida tem são os amigos que fui fazendo com ajuda dela.

Florença (Novembro 2007)
3:43:14 (67kg)

Esta prova surgiu obra do acaso por falta de “doping”. Depois da prova do Porto praticamente não treinei mas uns dias antes de Maratona de Florença o amigo Pedro Teixeira desafiou-me a acompanhá-lo. Pensei que rever a cidade e estar no meio do publico a tirar umas fotos ao meu amigo era um excelente programa para descontrair do trabalho da semana. E lá fui eu. Mas na dúvida levei os meus sapatinhos e no dia antes da partida resolvi inscrever-me na Maratona, não fosse dar-me a vontade de fazer parte do percurso ou a totalidade caso ficasse louco. E não é que fiquei mesmo louco. Esta foi a Maratona que fiz de forma mais descontraída, tentando gozar cada passada da prova. A prova tem uma excelente organização, um percurso muito bonito e fácil e quando passa no centro da cidade é um verdadeiro espectáculo. Fazer uma Maratona sem qualquer objectivo senão o chegar ao fim é muito bom e proporcionou-me umas mini-férias desportivas excelentes.

Londres (Abril 2008)
3:30:53 (65,5Kg)

Desde o princípio sonhava em fazer esta prova. Foi um fim-de-semana completamente descontraído aonde estive plenamente relaxado. Como se costuma dizer nas “nuvens”.  Sentia que estava aonde queria estar, aonde lutei para estar, e com amigos. A partir daqui só podia relaxar e absorver ao máximo todas as sensações. Foi, sem qualquer hesitação, a melhor maratona que corri até hoje. Ainda bem que em 2005 quando tentei participar nesta prova o sorteio me foi desfavorável. Estes anos permitiram-me participar noutras provas internacionais e assim ter padrões de comparação mais justos. Desde os primeiros metros há apoio da população, mas nada comprado com os km’s que se seguem: há locais aonde sentimos que vamos completamente levados ao colo pelo apoio da multidão. Principalmente quando chamam pelo nosso nome.

 Em termos desportivos foi excelente bati o meu record  (7 segundos) ajudado por o meu amigo Pedro Oliveira que só faltou levar-me às cavalitas até à meta.

Berlin (Setembro 2008)
3:23:47 (64,5kg)

Um prova perfeita. Bem organizada, com muito publico, com uma temperatura excelente, partida por obra do acaso junto às grandes vedetas da prova. Tudo isto resulta obviamente em record pessoal. É mesmo a prova mais rápida do circuito mundial. Mas esta prova teve o antes. Um centro de treino perfeito onde pela primeira vez pude treinar e descansar a sério e “curtir” a amizade dos meus amigos.

 SABEM É POR ALGUMAS DESTAS COISAS QUE GOSTO DE CORRER MARATONAS.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pelos Caminhos da Caparica



Foto que não carece de muitos comentários...
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Tirada no final de mais uma “prova popular”, desta vez na Caparica. Prova peculiar, de 10km... menos 100m! E até já se sabia que assim seria (anunciaram no site!). Assim ao jeito do programa “Nós por Cá” da SIC... Há coisas que não são para entender no nosso país. Aliás, as aspas em “prova popular” são para provocar os parceiros da GAFE, a quem digo que estas provas não fazem o meu género (“not really up my alley”, Carlos). Mas o facto é que, mesmo a rabujar, lá as vou fazendo e curtindo. Hoje disse aos parceiros, ao olharmos para a maralha masculina a correr à nossa frente (maioritariamente feiosa, mal cheirosa e com a barba por fazer!) que se fizessem uma prova destas em San Diego, percebiam o que eu quero dizer! Estava sobretudo a referir-me ao rácio de género (não da higiene e do aprumo), bem mais favorável para os Johns que para as Janes, naquelas paragens. Aqui ainda falta trilhar algum caminho mas estamos cada dia melhor. E a GAFE está na linha da frente, com as nossas duas atletas fantásticas – melhor aprumo seria impossível, meninas! Aliás, só não sei se nós, os meninos, estamos à vossa altura... mas somos simpáticos e não cuspimos para o chão (só para a relva, por vezes!)... não se pode ter tudo. Se o nosso galã Paulo Vieira aparecesse mais vezes... Infelizmente hoje a secção feminina esteve ausente, com justificação.
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Bom, antes que o Nuno comece a preparar a resposta para o meu “snobismo estrangeirado”, vou mudar de assunto. De facto, isto é mais fumo que fogo, amigos... Como sabem, podia ter ficado pelas “San Diegos” nas calmas, mas é que aqui me sinto bem e mais eu próprio (e lá não há pastéis de Belém!). Mas reconheçam que quem já foi na camioneta do Parque das Nações para a Vasco da Gama, apertadinho, para correr a Meia-maratona, sabe que não se perdia nada com mais um aviso no Boletim de Inscrição, p.ex. assim: “Alerta-se que o facto de ir correr a Meia-Maratona no Domingo não dispensa o duche matinal! Aliás, como vai viajar com o braço para cima na camioneta e com o sovaco à mostra (a 10cm do nariz parceiro do lado), o referido duche seria uma óptima prova de civismo!”. Ou algo do género... Tenho mais algumas do género para “malhar” no Portuga (“estilo” de estacionamento, “originalidade” na condução em fila de trânsito), mas fica para depois. Disse que ia mudar de assunto...
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O que eu gosto nas provas populares em Portugal? Gosto do estímulo da competição, que pessoalmente me faz bem. Sinto que gasto os “cartuchos” da agressividade/competitividade masculina que a biologia naturalmente me deu, e nas outras tarefas já não preciso de os usar (muito). Talvez inspirado pelos contos míticos que li no passado sobre as “warrior / hero journeys” masculinas (existem muitos e em todas as culturas*), gosto de me sentir um pouco “guerreiro” a aquecer antes da prova e deixar-me imaginar que me preparo para uma provação ou teste. Talvez por isso habitualmente aqueço sozinho, em “mentalização”... Afinal, todos temos de (per)correr o teste sozinhos. Acho mesmo que tenho genes que assim evoluíram e preciso de lhe dar espaço de quando em vez. Ou acabariam por se manifestar de outras formas, provavelmente em agressividade passiva, muito pior.
*Ver obra de Joseph Campbell, quem estiver interessado.
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Mas o que gosto mesmo é de partilhar estes momentos com os parceiros GAFE. E hoje lá estávamos, um pouco mais “dispersos” que o habitual, mas em equipa, nevertheless. Na “carruagem da frente”, o Presidente Ferreira teve escolta a dobrar até aos 5km (como combinado), a passo médio de 4:18. E depois disso os dois “guarda-costas” lá arrancaram para sofrer um pouco (foi a parte do “guerreiro!”), a 3:47 até ao fim. Senti-me bem, leve e quase pronto para a prova que se avizinha. O outro “guarda-costas presidencial” (Nunes) está também com o passo afinado e, assim consiga manter as canelas minimamente sãs, vai por certo ser um parceiro perfeito em Sevilha e deverá ser desta que terminamos uma juntos.
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E, sempre que possível, gosto de marcar estes eventos, que talvez um dia não possamos mais repetir (os muitos caminhos na vida nunca duram para sempre, como mostrou o Benjamin Button), com umas belas fotos, para um dia mostrar aos netos. Ou sobrinhos, para aqueles de nós que andam mais atrasados nesta matéria! Fica aqui a de hoje, com um pequeno toque de intemporalidade... Afinal, como também mostra o F. Scott Fitzgerald, cada caminho vale por si e pode valer muito. Às vezes dura alguns segundos (como na magia de cruzar os 42.195 m). Às vezes dura cerca de 40-45 minutos, na costa do Oceano Atlântico. E às vezes mede 9900 metros!

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Viva Portugal! E a nossa infindável tolerância (apetência?) para a idiossincrasia...
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P.S. - Hoje, a aquecer... (obrigado, Carlos!)


provas ao gosto "popular"


Em jeito de resposta, sem jeito porque só faço a barba uma vez por semana (4ª feira), por acaso ainda hoje falava acerca desta temática com alguns colegas que foram à prova da Caparica, que cada vez que se fala na maratona de Sevilha, há um portuga a dizer que vai lá estar - e penso: "o Pedro Teixeira vai apanhar uma desilusão, pois aquilo na Andaluzia vai ser mais uma prova ao gosto "popular" com uma pitada de salero gitano", eu sei de pelo menos dois autocarros carregadinhos de bigodes e concertinas que vão para lá.
Não vejo isso como snobeira, é uma questão de gosto, como outra qualquer, mas na minha opinião quanto menos vedetas e mais miminhos para o povo, melhor. 

Abraços

NK

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Chuva, chuva e mais chuva...

Não quero armaram-me em “calimero” mas já estou farto de tanta chuva.

Sei bem da importância da chuva. Ela é fundamental para que existam seres vivos. Quando chove, os agricultores ficam mais descansados. A chuva enche os rios, os lagos e faz brotar as nascentes de água que nós usamos. Enchendo os rios, a chuva enche também as albufeiras das barragens, onde a força motriz é aproveitada para a produção de energia eléctrica, sem a qual já não sabemos viver.

TUDO ISTO É VERDADE.

Mas, meus caros amigos, “eles lá em cima” podiam organizar-se. Não era preciso que chovesse sempre que o Carlos Ferreira está na rua a treinar. Se vou logo muito cedo chove, se aguardo para a hora de almoço para treinar, chove, se vou só à noite também chove, e se fico em casa e não corro NÃO CHOVE. E dizem-me que isto não perseguição. Não me digam que é só azar.

Vou esperar que no DOMINGO no X Grande Prémio Atlântico que não chova. Iriá ser uma pequena compensação quando já sei que não poderei bater a minha melhor marca de 10km pois este ano a prova só terá 9900m.

Foto de  Sandra Raccanello/Grand Tour/Corbis na Maratona de Veneza em 2007

domingo, 1 de fevereiro de 2009

13

No dia 22 de Fevereiro vou tentar completar a minha décima terceira maratona. Não sei como mas de repente comecei a pensar que o nº 13 está normalmente ligado a má sorte. Nunca fui muito supersticioso, mas... nunca se sabe. Do pouco que li sobre a origem desta superstição esta teve provavelmente origem em dois factos:

  • no dia 13 de Outubro 1307, sexta-feira, quando a Ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França; os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país, e alguns torturados e, mais tarde, executados, por heresia;
  • na última Ceia de Cristo eram 13 convivas e entre eles Jesus que morreu na sexta-feira.

Hoje fui fazer o meu último longão, antes da Maratona de Sevilha, depois de uma noite tempestuosa sai para a rua com um sol radioso mas consciente que provavelmente durante o treino iria apanhar alguma chuva. E ela veio. Sabem quando? No 13km... “arre”. E foi um km completamente diluviano onde até granizo caiu. Apesar de bem agasalho fiquei completamente gelado e com a roupa pesando toneladas. A partir dai o nível do treino baixou e os últimos 10 km foram muito dolorosos. Mas como costumamos dizer “estes 33,5km já cá cantam...”

Mas o 13...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

18 de Janeiro de 2009 (sem comentários)