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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Maraton de Sevilla

Decidimos fazer esta Maratona na recuperação da maratona de Berlim. Pouca informação tinha, mas confiei na sapiência dos meus companheiros – foi uma grande escolha. A Cidade é linda, vivem lá alguns amigos com quem partilhei momentos que guardarei para sempre, o percurso é plano e o tempo estava magnífico para correr.

Não consigo fazer nada na vida sem objectivos e numa fase inicial da preparação defini-me alguns objectivos. Treinar sem lesões, perder algum peso e aproximar-me das 3h00.

As lesões foram uma constante dos processos de preparação para as Maratonas anteriores. Apesar de alguns percalços na preparação para Sevilha (1 pé torcido a jogar futebol, 1 joelho inchado numa queda num treino às 6h00 e terminei a preparação com uma periostite que me vai “obrigar” a descansar as próximas 3 semanas), estes quase nunca foram impeditivas de uma boa preparação.

Tentei fazer o maior número de treinos com a GAFE, para gozar da experiência, método e organização do Presidente, das tareias do Secretário-Geral e principalmente do espírito e boa disposição do GAFE.

No sábado, lá fomos juntos para Sevilha. Conduzi o carro dos atletas (que grande responsabilidade) e o Joca conduziu as nossas meninas (sortudo:-)), que foram incansáveis no apoio e na reportagem fotográfica.

Levantámos os dorsais, fizemos o check-in no Hotel e fomos jantar (3 pratos de massa), sem muitas misturas para evitar os problemas intestinais que senti em Londres. Depois do jantar, o Enrique veio-me buscar na sua moto, para ir-mos assistir ao Sevilha-Atlético de Madrid. Encontrámo-nos com o Ignaci e com o Eduardo, bebemos uma Cruzcampo, enquanto assistíamos ao final do Real-Betis (6-1 desgraçado do Ignaci que é fanático do Betis) e fomos para o Estádio. Nunca tinha assistido a um jogo da Liga Espanhola e muito menos um jogo às 22h00. O estádio estava cheio, o ambiente é espectacular e os adeptos são incansáveis no suporte à sua Equipa – na Luz, só contra o Sporting e Porto o estádio enche e os adeptos estão mais preocupados em assobiar o árbitro e o Di Maria, que em puxar pelo Benfica. O Sevilha venceu por 1-0 e o Sevilha mantém o 3º lugar na La Liga.

Dormi poucas horas, acordei cedo, comi sem vontade umas fatias de pão alentejano com doce de abóbora (o pequeno-almoço no Hotel só começava às 7h30), tomei um duche e equipei-me para a prova.

Chegámos cedo ao Estádio Olímpico, aquecemos e alinhámos objectivos. Eu pretendia fazer abaixo das 3h05 e o PT decidiu que ia tentar fazer NY Time (2h55m00) - combinámos ir juntos até à Meia-Maratona (4:11/4:12/Km) e então o PT aceleraria e eu tentaria manter o ritmo que me permitisse bater as 3h00 (este era um sonho antigo que não pretendia bater em Sevilha mas ia tentar).

Alguns desencontros com a Gafe fizeram com que eu e o Presidente fossemos tarde para a pista e ficássemos na parte traseira do pelotão (entretanto tínhamos perdido o NK e o PT). Tiro de partida, votos de boa prova, cumprimento final e arrancámos. Encontrei o PT ainda na pista, pose para a fotografia à entrada do túnel de saída e lá saímos do estádio ainda muito lentos. Terminámos o 1º Km em perto de 5min e rapidamente chegámos ao ritmo objectivo (4:05/4:15). Passámos aos 10Kms com 42 min e íamos fortes – apesar de sentir que o PT ia a travar. A temperatura estava fresca, não havia vento, o sol ainda estava baixo e portanto havia muita sombra, enfim condições óptimas para correr apesar da temperatura ir subindo.

Mantivemos o nosso ritmo e perto dos 15Kms decidimos alcançar um grande grupo que estava à nossa frente. Foi impressionante a facilidade com que o PT os apanhou. Eu fui mais calmo mas mesmo assim, foi com facilidade que os apanhei e me abriguei no meio do grupo. O grupo tinha imensos Tugas que iam bem e com quem me fui cruzando até ao final da prova.


Aos 20Km´s, o PT partiu e pouco depois acenou-me como que a desejar – FORZA HOMBRE. O PT estava muito forte e não tinha dúvidas que bateria o record pessoal – ainda teria condições de fazer 2:55? Desejei que sim:-). Passei à Meia com 1:29:10 e sentia-me forte.

Foquei-me na minha prova e diversos pensamentos me passaram pela cabeça – teria pernas para manter o ritmo? Baixaria das 3:00? A que Km passaria pelo muro? Deixei-me de pensamentos negativos e mantive o ritmo.

Aos 30 Kms, já me sentia bastante cansado mas tinha conseguido manter o ritmo. Parei para aliviar a bexiga e segui com força.

Perto do Hotel, por volta dos 35Kms, passei pelo Joca que se fez notar – MEGA GRITO de apoio – e percebi que ia bastante cansado. Ia a olhar para o chão, com os dentes cerrados e fiz-lhe um sorriso mas sem a resposta enérgica que merecia.

Lá segui concentrado em cada passada a pensar que faltava menos uma para o final da prova. Nesta fase, os pensamentos eram do tipo – porque é que me meto nisto? Sou louco? Porque é que não fico em casa? Porque é que não sou capaz de fazer maratonas sem objectivos de superação?

Nesta fase, já não conseguia manter o mesmo ritmo mas ia-me focando em não baixar dos 4:20/km. Definia objectivos para manter o ritmo – ultrapassar 6 atletas até à meta, ultrapassar o atleta à minha frente, …. Enfim, formas de manter a cabeça ocupada com pensamentos positivos.

Por fim, entrei no túnel de acesso ao Estádio Olímpico. Acelerei o ritmo, olhei para o relógio (conseguiria bater as 3h00), senti o ambiente do estádio, dei tudo o que tinha até à meta e senti a felicidade de superação – 2:59:08.



$Dei um forte abraço ao PT, que estava à minha espera, e a quem devo este resultado, agarrei uma garrafa de água e descansei.

Depois de reunirmos a Gafe, encontrámo-nos com o Joca, a Ana e Isabel e rumámos ao Hotel para um merecido banho. Depois do banho, um almoço de tapas (fantásticas), umas cañas e o descanso dos guerreiros.

Entretanto, fui visitar o Mestre Raul Oliveira que me diagnosticou uma periostite e recomendou-me que parasse durante 3 semanas – que farei. Haja vento para que me possa dedicar ao kite Surf:-).
Boas corridas.

PS: Gafe, qual será a nossa próxima Maratona?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Maratona de Sevilha 2009

Na minha senda de bater o record do presidente, lá fui com a equipa participar na minha primeira maratona do ano.
Partimos no sábado, um carro só com atletas e outro só com a claque, viagem calma e descontraída com a temática a recair no tema “o que é realmente o típico português”, resolvemos ter o nosso almoço ainda do lado de cá da fronteira, mais propriamente em Vila Real de Stº António – num género de clube naval e constou de “arroz de pato”.
Chegamos a Sevilha e vamos directos ao estádio para levantar o dorsal e o saco do corredor, vamos ao hotel e pouco depois partimos para a o ultimo enchimento de hidratos, foi descoberto um local de seu nome “Fresc O” em que 9,95€ colocavam todo um buffet de massas, saladas e afins à descrição.
Depois de uma noite mal dormida, lá fomos ao pequeno-almoço, excepcionalmente em atenção aos maratonistas, às 6:30h e resolvemos ir de Táxi para o estádio para não haver maiores stresses.
Depois lá fiz a minha prova, cujo relato detalhado pode ser lido aqui.
O 43º km (à semelhança do 19º buraco no golfe), foi dos melhores, com uma colecção infindável de tapas, e algumas cañas.
O dia seguinte foi composto basicamente por dois factores repouso activo com uma bela caminhada pelo centro histórico da bela capital da Andaluzia e por siesta…
Deixo aqui os parabéns a todos pelos objectivos atingidos e o meu obrigado por tudo.
NK

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sevilha 2009

“Quantos quilómetros tem a Maratona?”

Pergunta frequente feita por familiares e amigos desta “tribo” de gente um pouco diferente que corre estas provas. Grupo que parece aumentar de número todos os anos, o que não deixa de ser interessante... Mas como diria o precioso repórter “Sabino Rui” (do precioso TeleRural) “Sim, Zé. É digno de reflexão aquilo que atrai mais e mais pessoas à Maratona... mas não foi isso que me trouxe aqui hoje!”. Às vezes a pergunta é ainda mais curiosa: “ E quantos km tem esta maratona que vais fazer?!!”. A resposta em ambos os casos é muito simples: “Tem 42 km”.

Errado...

(TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL AQUI)

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Sevilha em imagens:




Sábado... Depois de levantar os dorsais.



A abastecer de hidratos num italiano "all you can eat"!


Minutos antes da prova, dentro do estádio

A partida


Eu e o Luís, tudo era fácil... (10km?)


"Thumbs up, girls"!

Foto bonita. "Thumbs up" do Luís (detalhe da Powerbar na minha mão)
Concentrados na 1ª metade
A curva Portuguesa, com o parceiro espanhol em dificuldades...

A entrada no Estádio! Em grandes dificuldades...!!

A voar para a meta...


Com o Luís, à espera do Carlos...


E aí está ele, mais a bandeira!


Já fora do estádio... em comunhão com os colegas e "support team".

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sevilha a nº13

A minha décima terceira Maratona já está!!!!

Cartaz da Maratona de Sevilha (Foto Isabel)
Apesar de não ser uma das Maratonas de topo de Espanha fiquei muito bem impressionado com a organização desta prova. Talvez o único apontamento menos positivo é a feira que é extremamente pobre, quase inexistente. As ofertas que dão aos atletas são boas se pensarmos no preço que se paga (camisola técnica sem mangas, meias e calções).


Os tugas na feira (foto Isabel)
A prova parte e chega no Estádio Olímpico onde impera uma organização muito simples e eficaz. Durante todo o trajecto a organização está sempre presente com o objectivo de ajudar os atletas. Tivemos abastecimentos de 2,5 em 2,5km fornecidos por voluntários extremamente jovens que fazem o máximo para incentivar todos os atletas. De salientar também a existência muitos locais onde se pode encontrar ajuda médica.
Relativamente à minha prova posso dizer que correu bem, pois consegui fazer a minha terceira reconfirmação de mínimos para a Maratona de Boston (3h29,26s). Mas...
Desta vez bati no “muro”.
Nada que eu não estivesse à espera em função dos indicadores dados pelos treinos. Quando parti tinha 3 objectivos: O tradicional (acabar), o realista (tentar reconfirmar os meus mínimos) e o sonhador (bater ou ficar muito perto do meu record).
Mas voltando acho ao “muro”, ou como eu e Ana o rapelidamos “monstro dos hidratos”, ele visitou-me no local esperado (32km) e ficou lá até ao fim como podem ver no gráfico que abaixo apresento.

Tempos médios por km com recolha de 5 em 5km e à meia e no final
Parti então sincronizado no objectivo mais alto. Apesar de do primeiro km muito lento fui aos poucos recuperando e por volta do 10km já estava dentro do objectivo.

Passagem cerca dos 6km (foto Isabel)

Passagem aos 10km (foto Isabel)
 Dos 10km até à meia-maratona mantive o objectivo pretendido, ou seja, andar a ritmo de 4:50/km. De tal maneira que à minha passagem à meia estava dentro do ritmo para record.

Passagem por volta dos 16km (foto Isabel)
 Mas a partir daqui o ritmo caiu muito. Até aos 32km consegui andar quase sempre abaixo dos 5:00/km mas a partir dos 32km o monstro chegou. Mas para sorte minha, a minha querida amiga Ana chegou para me ajudar a fazer os últimos 10km. A sua força, amizade e aquela bandeira que transportava consegui “arrastar-me” até à meta. 

Eu a Ana e a bandeira por volta dos 32km (foto Isabel)
Em todas as anteriores maratonas, apesar já ter batido no “muro”, nunca como desta vez senti o embate de forma tão violenta como esta. A partir dos 34km só me apetecia andar. Mas o ânimo “silencioso” da minha amiga e de todos aqueles que se alvoroçavam quando a bandeira portuguesa passava ajudou-me a não parar até ao 40km, onde tive que parar durante cerca de 1 minuto para beber água. Mas a mão milagrosa da Ana empurrou-me e o motor lá se manteve em funcionamento, apesar de ir aos solavancos. Mas quando o balão das 3h30m passou por mim, perto do 41km, resolvi ir atrás dele sem muito êxito mas o suficiente para consegui manter a terceira velocidade. À entrada do estádio a Ana resolveu não entrar (fiquei cheio de pena de ela não gozar o ambiente) e passou-me a bandeira para a mão.

Passagem de testemunho (foto Isabel)
Agora só faltavam poucos metros até à meta. O túnel primeiro e depois o estádio. Quando entrei desfraldei a bandeira bem alto e o estádio veio abaixo. Foi mesmo espectacular.
E assim terminei a minha 13 Maratona agora só tinha que procurar os meus amigos e desfrutar o momento.
Esta blog só foi possível devido às excelentes fotos da minha amiga Isabel que um dia deste começará a correr connosco. As promessas não se esquecem.